segunda-feira, 25 de setembro de 2017

na sexta nos falamos. 40 anos. vai ser pai. o tempo passa rápido né? lembra de mim lá naquela época? aparelho na boca, 21 anos recém-feitos. você todo adulto, independente. eu, cursinho indecisão. você, como diz a música do Cazuza, literalmente me pegava na escola, enchia minha bola com todo seu amor.
lembra da gente? foi sintonia no primeiro encontro. foi tanto amor. foi tanta troca. foram tantos ciúmes despropositados, vendo na ótica do hoje em dia. foram anos a distância. três. três longos anos. você era meu porto seguro e desde então não teve ninguém pra preencher isso que você deixou em mim. essa coisa boa. nossas viagens de moto. nossas loucuras. nossos acampamentos. nosso meio do mato que parecia meio do mundo. nossos amigos. seus amigos que viraram meus. nossas festas ensandecidas.
você me enxergou da forma que eu não me via e me mostrou como é bom ser dois e, ainda assim, querer fazer parte um do outro.
você me viu crescer. me viu sair da indecisão de uma vestibulanda até entrar na faculdade e me tornar o que eu já era sem saber.
você não foi, você sempre será.
e você, pai, me enche os olhos d'água. mas não é de tristeza não.
é de orgulho de saber que você vai ser pra essa criança o melhor que você puder.
e você pode, meu eterno meu bem.

sábado, 23 de setembro de 2017

Recomeçar
Recomeçar
Recomeçar
Recomeçar
Recomeçar
Recomeçar
Recomeçar
Recomeçar
Recomeçar
Recomeçar
Recomeçar
Recomeçar

I’m


Fucking





tired.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

receita de bolo

Parecia tudo
e
De repente
Virou nada

Ficaram as fotos guardadas no armário
O cheiro na memória
Os souvenirs na gaveta

O sexo preso na lembrança
Dos corpos mal dormidos
e
Ainda assim quentes e felizes

Não resta nada
Tudo ficou paralisado

É como se dali a poucos minutos tudo voltasse a ser como foi:
Uma força desconhecida
Descomunal
De vida.

A receita não levou fermento
O forno foi aberto antes do tempo
Exatamente por isso,
O bolo murchou e ninguém quis prová-lo.

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Coisas vão te acontecer o tempo todo.
Você acorda como se fosse um dia simples, ordinário, e de repente, sua vida muda.
Em um dia você é uma adolescente planejando o futuro com suas melhores amigas, e, de repente, um acidente muda tudo. E muda pra sempre.
Você guarda numa gaveta do espaço-tempo traumas e, sem querer, na sua felicidade quase plena, eles são os protagonistas da história.
Você é a menina mais inteligente e linda do lugar que mora, e um incidente arrasta seu rosto e te desconfigura inteira. E, como mágica, a partir disso, você se torna a pessoa mais feliz do mundo.
Coisas vão te acontecer o tempo todo.
É como você reage a elas que muda sua vida.
Todos, também, estão perdidos em suas histórias, tentando sair da areia movediça e dos labirintos quase infinitos que se colocaram ou foram colocados.
Reaja. Isso mesmo. Faça agir novamente. Diferente. Insistentemente.
Mas entenda quem é você.
Por anos, longos anos, tentei negar que existe um lado muito cinza, como diz meu pai, "sorumbático" em mim.
A virada da chave não foi mudar isso. Foi aceitar. Acolher. E tentar me alavancar pra cima da forma que seja possível.
Algumas vezes a gravidade te puxa pra baixo, lá pro fundo desse poço. Em outras, você junta força e cérebro pra escalar.
Não há receita. Não é um bolo.
Coisas vão te acontecer nos momentos mais improváveis, naqueles mais impossíveis.
Mas, ao invés de correr da chuva, se molhe.
Você merece.


PS: reflexões vindas pelo documentário "Happy'.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017


Sim, existe amor em SP! E em Paris, Piracicaba, Minas Gerais, Madri, Cruz das Almas. O amor não deu no pé. O que eclipsa sua presença são as expectativas, as convenções sociais, a necessidade de uma bússola ou de uma tábua de salvação.

O amor pode sobreviver ao mau humor matinal, à depilação por fazer, ao futebol de domingo, às cutucadas suspeitas no Facebook. Mas nenhum amor sobrevive ao peso da obrigação de ter que dar sentido à vida de alguém.

Porém o destino é um menino travesso que teima em nos enviar um par justamente quando estamos ao avesso.

Como ser par sem antes ter conseguido ser ímpar? Ignoramos esta pergunta. Quem precisa ser ímpar quando se pode ser par?

Afinal o amor dá jeito nas coisas, não dá? Não foi isso o que nos ensinaram? Que o amor supera tudo?! E se o amor supera tudo, claro que vai nos desvirar do avesso, nos botar no prumo e nos fazer sentir conforto em nossa própria pele. É questão de tempo.

O tempo! Ah, o tempo! Pobre rapaz… O tempo se zanga com a troça do destino e, para provar que nada tem a ver com isso, corta o mal pela raiz: provoca a ruptura.

Daí por diante começa o desatino: lágrimas, injúrias, fúria, raiva, melancolia, sentimento de menos valia, solidão.

De quem foi a culpa, afinal? Alguém precisa levar a culpa!

Sobra para quem? Para o amor. É tudo culpa do amor! Esse monstro que por puro egoísmo fugiu das grandes cidades e deixou as metades das laranjas partidas desencontradas e perdidas.

Coitado do amor! Ele tem implorado por atenção, mas ninguém o ouve. Quem consegue ouvir os apelos do amor estando anestesiado de medo? Amor, que amor? Estamos mais ocupados em saber se é por aqui que se vai para lá. Estamos mais preocupados em saber se seremos aceitos, bem sucedidos e bonitos na foto do que qualquer outra coisa.

Não conseguimos nos amar, nos aceitar, nos admirar, nos respeitar. Como é que conseguiremos amar, aceitar, admirar e respeitar o outro?

Se acaso precisamos que um amor ratifique que somos bons, capazes, especiais e únicos, ele simplesmente morre. O amor não tolera esse tipo de exigência. O amor não tolera expectativas desleais.


Nada nem ninguém, nem mesmo o amor, o sentimento mais poderoso e cobiçado da face da terra, poderá nos oferecer identidade, segurança e conforto. E nosso desconforto anda tão grande, tão imenso, que para não olharmos para os nossos abismos dizemos que “não existe amor em SP” ou em parte alguma. Pior, dizemos que os amores se tornaram líquidos – como se algum dia ele tivesse sido outra coisa que não fluidez.

Bobagem! Nós é que precisamos nos desfazer de certas bagagens inúteis e de um bocado de coragem para convidar um velho amigo para uma xícara de chá: o amor-próprio.

O amor não fugiu das grandes cidades. Ele não foi a lugar algum. Ele continua onde sempre esteve.  É que ele só visita quem convida seu irmão gêmeo para uma xícara de chá.

De Mônica Montone.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

pensei que mergulhava profundamente em suas águas
até acordar do sonho e perceber
que bati a cabeça contra a pedra:
não era mar aberto, era riacho raso.



da realidade restou apenas o sangue quente, fervilhando, jorrando da cabeça ao meio dia.
e a confusão mental com gosto de ferro na boca.


geograficamente, o riacho está interditado. dele o tempo leva, a cada dia, uma gotinha.
até restar só terra seca. esturricada.
ali jaz vida.



domingo, 10 de setembro de 2017

Ao fim e ao cabo

Ao fim de um relacionamento faço exatamente  sempre o mesmo exercício: saber como o anterior do anterior deu errado. E, nas minhas anotações, conversas, trocas, cheiros, sexo e tatuagens, vejo que não deu nada errado. Que foi vida invadindo feito enxurrada uma sala vazia de gente e cheia de móveis em dia de chuva forte.

Vi você e suas pintas segurando tão firmemente seu cigarro que não tinha como não te amar.

Foi você e seu sotaque paulista, olhos azuis e saúde fudida que me fizeram me apaixonar perdidamente por você. Cegamente, eu diria. Até vir, as pintas e cigarros pra me arrebatar.

Antes, no entanto, veio sim a destruição. Mas essa eu pulo.

Assim como pulo capítulos e descubro de salto em salto que aquele lance de errado mesmo é amar menor é real. Nunca amei menor.

Aliás. Se é errado ou certo não sei.

Só sei que olho pra trás e vejo só o próximo pulo. Pra frente. E de olhos verdes.

sábado, 9 de setembro de 2017


O amor acaba


O amor acaba. Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar; de repente, ao meio do cigarro que ele atira de raiva contra um automóvel ou que ela esmaga no cinzeiro repleto, polvilhando de 
cinzas o escarlate das unhas; na acidez da aurora tropical, depois duma noite votada à alegria póstuma, que não veio; e acaba o amor no desenlace das mãos no cinema, como tentáculos saciados, e elas se movimentam no escuro como dois polvos de solidão; como se as mãos soubessem antes que o amor tinha acabado; na insônia dos braços luminosos do relógio; e acaba o amor nas 
sorveterias diante do colorido iceberg, entre frisos de alumínio e espelhos monótonos; e no olhar do cavaleiro errante que passou pela pensão; às vezes acaba o amor nos braços torturados de Jesus, filho crucificado de todas as mulheres; mecanicamente, no elevador, como se lhe faltasse energia; no andar diferente da irmã dentro de casa o amor pode acabar; na epifania da pretensão ridícula dos bigodes; nas ligas, nas cintas, nos brincos e nas silabadas femininas; quando a alma se habitua às províncias empoeiradas da Ásia, onde o amor pode ser outra coisa, o amor pode acabar; na compulsão da simplicidade simplesmente; no sábado, depois de três goles mornos de gim à beira da piscina; no filho tantas vezes semeado, às vezes vingado por alguns dias, mas que não 
floresceu, abrindo parágrafos de ódio inexplicável entre o pólen e o gineceu de duas flores; em apartamentos refrigerados, atapetados, aturdidos de delicadezas, onde há mais encanto que desejo; e o amor acaba na poeira que vertem os crepúsculos, caindo imperceptível no beijo de ir e vir; em salas esmaltadas com sangue, suor e desespero; nos roteiros do tédio para o tédio, na barca, no 
trem, no ônibus, ida e volta de nada para nada; em cavernas de sala e quarto conjugados o amor se eriça e acaba; no inferno o amor não começa; na usura o amor se dissolve; em Brasília o amor pode virar pó; no Rio, frivolidade; em Belo Horizonte, remorso; em São Paulo, dinheiro; uma carta que chegou depois, o 
amor acaba; uma carta que chegou antes, e o amor acaba; na descontrolada fantasia da libido; às vezes acaba na mesma música que começou, com o mesmo drinque, diante dos mesmos cisnes; e muitas vezes acaba em ouro e diamante, dispersado entre astros; e acaba nas encruzilhadas de Paris, Londres, Nova York; no coração que se dilata e quebra, e o médico sentencia imprestável para o amor; e acaba no longo périplo, tocando em todos os portos, até se desfazer em mares gelados; e acaba depois que se viu a bruma que veste o mundo; na janela que se abre, na janela que se fecha; às vezes não acaba e é simplesmente esquecido como um espelho de bolsa, que continua reverberando sem razão até que alguém, humilde, o carregue consigo; às vezes o amor acaba como se fosse melhor nunca ter existido; mas pode acabar com doçura e esperança; uma palavra, muda ou articulada, e acaba o amor; na verdade; o álcool; de manhã, de tarde, de noite; na floração excessiva da primavera; no abuso do verão; na dissonância do outono; no conforto do inverno; em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba.

Paulo Mendes Campos. 


Ps: pode acontecer tudo, inclusive nada. 

terça-feira, 5 de setembro de 2017

você

você nunca

vai

ter

proporção

do estrago que fez

na

minha


vida . . .

domingo, 3 de setembro de 2017

o amor da minha vida

você vai ser construído dos livros que lê - e chora
dos filmes que assiste - e muda o interior tão complexamente, que é como se fosse um meteoro partindo a Terra ao meio
você vai dormir e, ao acordar, sentir a presença do calor das mãos
aqui, calor significará vivacidade. significará presença. significará importância.
você vai tomar aos pouquinhos o lugar que está só no coração pra chegar nas pontas dos cabelos e nos dedos dos pés, dominando cada fronteira chamada corpo
você vai dizer "eu estou do seu lado e preciso que você esteja do meu", tal qual a frase no "O Arroz de Palma" diz.
você será o arroz
a boca calada de feijão ao meio dia
o hálito de menta na cama
você será reconhecido pela cabeça sempre em dúvida, mas também pela fé em ir adiante
você não será fraco
e menos ainda forte
você será necessário
mas também não será o ar para respirar
você será necessário porque quero que você seja necessário
você olhará para o espelho e finalmente verá refletido nele o amor da sua vida
e, depois que você o reconhece em você, qualquer caminho se torna menos dolorido
haverão pedras e tropeços, é claro
mas quem limpará a poeira será você
não haverá mais "louca demais, sensível demais, dramática demais, intensa demais"
você é o amor da sua vida
eu sou o amor da minha vida
e sou tudo que posso ser.

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

"viver, às vezes, é um ato de coragem"

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

faz muito calor
olho pela janela da sala e a fumaça tampa qualquer visão do horizonte
uma cortina de fumaça, é nisso que a cidade se transformou enquanto dormíamos
primeiro, veio o desespero
não conseguíamos respirar
depois, entendi que é possível se acostumar com tudo
só não acostuma-se com a morte
porém, tal qual a morte, a gente esconde a dor na gaveta profunda do cérebro
tenho muitas gavetas profundas no cérebro
aparentemente elas começaram a derreter.

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Frances Ha

tem uma cena no filme Frances Ha que assisto repetidas vezes. muitas mesmo.
é tão besta e tão Frances, mas há algo nela que é exatamente a sensação que talvez muitos queiram ter e sei lá se esses mesmos muitos têm.
é quando ela fala da "sensação" e do que espera de um relacionamento. e brinca pelo fato de talvez ser por isso que continua solteira.
e segue dizendo que é uma "coisa"
é quando o casal sabe que um ama ao outro, ou seja, é recíproco, e eles estão no meio de um salão, de uma festa, conversando com outras pessoas
e de repente
os olhares se cruzam.
e não por ciúmes ou possessividade, mas porque "that is your person in this life"

e Frances continua falando que é engraçado e ao mesmo tempo triste, porque esse mundo vai acabar e, ao mesmo tempo, esse "mundo secreto" do casal é um mundo imperceptível pros outros. é o mundo deles.

e finaliza dizendo que é isso que ela quer de um relacionamento.

e reflete que na verdade é isso que ela quer com a vida: amor.

a cena é cortada com ela falando pros amigos que ela parece 'doidona', mas que não está. agradece o jantar e vai embora, deixando todo mundo com o queixo caído.

é uma cena engraçada, melancólica, triste (pelo fato de não a entenderem) e mostra tudo que a personagem Frances é ao longo do filme.

não sei porque sempre paro nessa cena, desde sempre, desde que vi o filme pela primeira vez, em 2012.

talvez seja pelo fato de entrar em situações descabidas e, pra falar a verdade, desde 2012 não haveria nem festa.



tem horas que a vida é um salão vazio.


sexta-feira, 25 de agosto de 2017

te vejo lá do alto e parece que você não volta.
depois que seus pés passaram pra lá e pra cá o córrego dos índios
e você subiu e desceu as dunas da praia da fazenda, algo aconteceu.
você olha profundamente pra essas fotos e elas dizem muito, mesmo não mostrando nada
é o chão cheio de lama
é a sombra da tia e do sobrinho
é a sua sombra
é a água turva que você sempre teve medo
aqueles olhões de jabuticaba da infância não existem mais
as perninhas tortas continuam as mesmas
a cor desbotou um pouco
e você cresceu
murchou pra dentro
cresceu pra fora
pensou que fosse explodir de tanto chorar
e foi pra debaixo da cama
ainda quer ir
mas não te cabe mais
você sabe.





quarta-feira, 16 de agosto de 2017

entre ondas e pedras

Quando a distância se fez
A saudade foi, aos poucos, abrindo pequenos buracos
De repente os buracos foram crescendo
E no lugar de braços
Pernas
Tronco
E fios de cabelo
O corpo foi desaparecendo
Fui sumindo
Ficando miúdo

O único órgão completamente intacto
Foi o coração
Tentei fazer com que a cabeça ficasse
Mas o cérebro não quis permanecer porque já sabia que era o coração que mandava
Ele, então, voou
Fiquei desarrazoada

Desde então meus buracos aumentam e diminuem de tamanho conforme a dança que faço com o coração
Parece um tango: é preciso estar atento e em parceria constante com outro ser humano
Tem dias que é apenas um carnaval: samba-se sozinho, porém em companhia
Outras vezes é forró: grudadinho é mais gostoso
Mas não são poucas às vezes que os buracos parecem ser música clássica: lentas, e na mesma proporção, fortes

Como arrebentação de ondas, os buracos parecem abrir e fechar no ritmo de um coração acelerado
As pedras que recebem as ondas sabem de sua força
Mas não se movem
As pedras entendem as ondas e as acolhem, sabendo que logo se vão
Para voltar imediatamente

Ainda não entendi se nasci pra ser onda ou pedra
Apenas tenho vivido entre espaços cheios e buracos
Esperando o mar tocar nas pedras e ficar.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

eco

às vezes me sinto vazia
é como se houvessem vários espaços:
buracos no corpo procurando por encaixe

deito
fecho os olhos
e não tem nada que me faça querer começar tudo exatamente outra vez.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

tá impossível.

passeio pela ansiedade
não roo unhas
não puxo os fios de cabelo
não consigo comer compulsivamente
nem parar de comer drasticamente
olho o horizonte frio
cinza
o barulho do vento
e mais do que nunca
estou onde não quero estar

"a cabeça é a ilha"

não dá para esquecer

"a cabeça é ilha"

me martirizo há dias
penso nos cigarros não-fumados
no quarto vazio
na metade da cama amputada
no chão frio demais para os pés
penso nos bilhetes encontrados, lidos, relidos, rasgados

ei, você aí? tudo bem, né? a vida vai bem. obrigada. não, que isso, obrigada você.

sinto me afundar na cadeira e ao mesmo tempo flutuar como os fantasmas se divertem
contenho as lágrimas
mas a dor é real
sinto fisicamente o coração acelerado
a boca seca
os lábios ressecados
a pressão traz o coração à boca

escuto a música

fingir
falsear
esconder
entro - pleonasticamente - para dentro
peço o silêncio do meu cérebro
mas, mais do que nunca, a cabeça grita
grita
grita

e eu só queria paz.
e eu só queria paz.

dá pra ser ou tá difícil?

alguém ecoa: impossível. tá impossível.

"a cabeça é a ilha".

quinta-feira, 15 de junho de 2017

cigana

chego desconfiada.
o vestido rodado e azul me aproxima de minha mãe. são nos pequenos gestos que as diferenças existem.
há velas ao lado direito. conto duas.
tenho desconforto, porém estou aberta
pés descalços
álcool para limpar braços, pernas e cabeça. não sabia que espíritos gostam de higienização. porém, apenas sigo o bonde.
sento
desconfio
fico ressabiada
começa
há velas
branco
cor
um castiçal carrega uma amarela e uma verde. não entendo a simbologia das cores.
sigo o ritual.
cruzo as pernas
"descruze", diz alguém atrás de mim
em alguns momentos, é como se segurasse o choro.
me chamam
sento
olhos nos olhos
"está confortável?"
digo não.
"acontece quando não conhecemos direito as coisas. o medo cega"
faço que sim
segue um diálogo que a cabeça já não me deixa lembrar
me colocam um véu azul na cabeça
há certa atração pelo cigano
sou cigana
espanhola
olhos azuis
porém, sei disso apenas no dia seguinte.
sou chamada mais uma vez
termina
é como se tivesse inebriada
diferente da infância, acolho
estou aberta.

estaria o tempo trazendo resiliência?
não sei.
apenas reflito que começo apenas a viver o começo de um novo futuro.

só não sei qual.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

a mesa está posta e sinto que você não vem
o livro, deixado naquele mesmo capítulo, já sente o pó se acumulando nos vãos das palavras

palavras

sinto o silêncio invadir a sala como o sol: sem pedir licença, entrando pelos nossos poros e dizendo olá para a parede recém-pintada

sinto que você não virá
e você, de fato, não vem

seria o trânsito?
uma batida por desatenção porque passamos tempo demais olhando pra baixo, no celular?

não sei. respondo a mim mesma as perguntas que me faço.

em dias como esse, resta apenas ser

ser significa o quê?
volto a me questionar
e, reflito:
aí está o problema. perguntas demais.

volto a mim e, como com o celular, olho pra baixo.
dessa vez não procuro mensagens, respostas, joguinhos de passar o tempo.
olho diretamente pra mim e percebo que não estou olhando "pra baixo", estou olhando pra dentro.

repito o exercício em séries infinitas
continuo olhando pra mim
desfaço a mesa
fecho os livros
o sol diz adeus

durmo e amanheço em mim.

quarta-feira, 3 de maio de 2017

O despertar

Há 10 anos escrevo aqui. Estava refletindo dia desses - e até escrevi algo que deixei arquivado, pra variar um pouco - quantas coisas passei desde que comecei o blog, lá em 2007.

Não tem como negar que amadureci. Não tem como negar que, se antes expunha o blog, compartilhava, deixava todo mundo "me ler", hoje ele é um espaço quase nunca compartilhado, restrito e com uma importância mais pessoal e intimista.

É claro, ele está na internet e vejo os acessos que cada postagem tem, mas entendo que o fato de não divulgá-lo o torna mais meu do que de qualquer outro ser humano que passe por aqui.

Sempre fui fechada. Sempre fui pra dentro. Sempre tive meu universo particular. Sempre fui uma filha ausente, mesmo presente dentro de casa. Talvez não tenha sido sempre. Tenho uma memória de infância, na casa do meu tio preferido, meu tio Antônio. Eu estava sentada na mesa, na casa dele em Goiânia, e ele virou pra minha mãe e falou algo parecido com: o que aconteceu com a alegria dela? Não foram exatamente essas palavras. Mas é como se, de repente, tivesse passado por algum portal.

Não era tristeza. Não me falta alegrias na vida. Mas, de repente, como diz um trecho de uma carta da Frida: "Algum tempo atrás, talvez uns dias, eu era uma moça caminhando por um mundo de cores, com formas claras e tangíveis. Tudo era misterioso e havia algo oculto; adivinhar-lhe a natureza era um jogo para mim. Se você soubesse como é terrível obter o conhecimento de repente - como um relâmpago iluminando a Terra!".

Meu tio talvez viu algo que ainda estava imperceptível. Pra mim, ao menos.

Hoje, vendo de maneira distante, entendo como é difícil conviver e criar seres humanos. Somos todos frutos de passados difíceis ou de memórias perturbadoras. E somos todos frutos desses passados convivendo com outros passados e ranços que se misturam. Como diz minha amiga Luciana, somos todos "dodóis da cabeça". De alguma forma, alguns se expõem mais e outros menos.

Apesar de "pra dentro", sempre fui transparente. Tenho outra memória, já no Ensino Médio, de uma professora falando: "não adianta falar uma coisa, se eu estou vendo outra em seu rosto". Nunca soube fingir sentir algo que não sinto. Só que, muitas vezes, falseava o sentimento. Em outras, não tinha tato o suficiente pra saber como sentir. Estranho? Talvez, mas sempre quis lidar melhor comigo e com o outro e acabava trocando os pés pelas mãos.

Quando era apego, pensava que era amor.

Quando pensava que era amor, era mais um relacionamento abusivo.

Leio e leio e leio textos budistas, que sempre li, desde os 14 anos, e tento absorver. Mas, meu deus!, como é difícil.

De novo:
como
é
di
fi
cil.

O principal passo, percebi, é se entender. É ser melhor pra você. Só que evolução não vem assim, da noite pro dia. Assim como não aprendi a ler da noite pro dia, assim como não aprendi a andar da noite pro dia.

O meu despertar pra mim mesma vem quando eu observo que exatamente a um ano atrás eu estava de frente ao Oceano Pacífico, na casa mais linda que o Neruda poderia ter construído pra ele, e estava mal, estava triste, estava acabada. Era resultado acumulado das "cabeças dodóis" que se uniram e, ao invés de se ajudarem, se destruíram, deixando amor se transformar em apego. Aliás, era amor ou era apego?

O meu despertar vem de entender que, sim, é duro, é difícil, é lento, mas é necessário dar tempo ao tempo.

O meu despertar vem de me policiar, de olhar pro céu (minha válvula de escape em dias de incerteza), de pedir ajuda, quando necessário.

Pedir ajuda foi uma das lições fundamentais que aprendi no último ano. Até então, achava que dava conta. Mas não, nem sempre a gente dá.

Há 10 anos eu começava você e hoje eu percebo que era só um começo de um jornada que é cada vez mais interna.

Uma jornada.

E como toda jornada, têm tropeços e recomeços.

A caminhada é longa.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

entre sorrisos e lágrimas

abri os olhos e entendi que foi só o cheiro que ficou.
olho pro travesseiro ao lado, frio pela falta de corpo
com o sorriso misturado às lágrimas que ficaram.
fecho os olhos e lembro que há algumas horas estava sendo muito feliz.
e continuo.
lembro do calor
das pintas
das marcas
dos raios de sol nos cabelos
raios de sol na minha vida
sorriso aberto no meu coração
clara como a luz da manhã invadindo o quarto de pedras
a casa de quadros
você traz tudo que o sol é capaz de trazer: vigor, olhinhos fechados, sorriso aberto, certezas, dúvidas, aconchego
vitamina D
vitalidade
saudade latente
amor.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

são nos pequenos gestos que os grandes amores vivem.
pensei,
chorando de felicidade pela salada de flor.

quarta-feira, 29 de março de 2017

desimportâncias.

acordei às 5h55. fiquei na cama até as 06h16.
tomei banho.
preparei o café.
vesti a roupa, passei o batom vermelho.
cheguei.
acidente na porta do trabalho.
moto com carro. quem tinha razão?
a chuva veio empatar o almoço.
o almoço veio empatar a dieta.
a dieta veio empatar a vida.
e de empates e empates,
zero a zero ninguém viu a vida passar.


quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

acredito claramente que é a dor que ensina. aliás, acredito que é a dor que amadurece.
não fosse a dor - física, quando a enxaqueca vem, ou de amor, quando ele se vai - não teria chegado até aqui.
a dor ensina
a tristeza ensina
o amor transborda.

sim, o amor apaga, vez ou outra, todas as imperfeições alheias.
é ele que faz tentarmos ir além. ficarmos vivos. não nos afogarmos nessa mediocridade humana.

acontece que, nem sempre, é o amor que vem. nem sempre é o amor que chega. nem sempre é ele que basta. nem sempre existe conexão com o outro. amor sozinho não basta. é preciso que seja mútuo, compartilhado, vivo.

já fiz dezenas de cartas de despedidas e em nenhuma disse adeus.
já disse que odiava sem nem saber o que significava isso de verdade.
até que parei pra me conhecer.
e vi claramente a bagunça mental que eu sou.
e aceitá-la não faz com que me sinta melhor
faz apenas com que eu me sinta eu
entre desorganizações
tristezas
dores
e amores.

minha carta é de chegada.
de mim para mim, digo:
sim.



domingo, 12 de fevereiro de 2017

o barulho do silêncio

Gostaria de lhe dizer que as coisas são passageiras
Que uma hora, bem ou mal, tudo vira lembrança
Que ali, alguns quilômetros a frente, estará tudo bem

Mas, a verdade é que não é possível saber
O tempo não cura as coisas
Ele, simplesmente, faz a gente esquecer as coisas

As coisas
Os atos
As pessoas

Vai ficando tudo meio turvo
Meio embaçado
Até sumir no meio da paisagem

Gostaria, também, de dizer que toda essa agonia
Vai ser curada
Que toda essa doença
Vai ser dizimada
Que vida é assim mesmo

Gostaria
Muito
De dizer pra você, que sou eu mesma,
Que é normal
Que os traumas
As infelicidades
As cicatrizes
As tatuagens
Tudo
É normal

mas
sabe?
não vou dizer nada
atrevo-me ao barulho imenso que o silêncio faz.




o que é inevitável na vida?
.i wanna touchable things.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

cansei

cansei
cansei dos meus livros
do meu edredom macio
do ar condicionado gelado

cansei de ver meus amigos doentes
de ver o ponto às 8 e às 18
de ler e rabiscar na natureza selvagem
de ouvir eddie vedder

cansei de cumprir um cronograma
de chorar com e sem causa
de estar perdida
de procurar cura nessa sociedade doentia

cansei de ficar angustiada
de ler e ler e ler e ler
e ver tanto sofrimento
tanta superação

por que temos que nos superar a cada minuto?
ser exemplo de coisas idiotas
de superficialidades bobas

cansei de cumprir tabela
de ter que ter
ter um carro
uma casa
um apartamento, é mais seguro
falando em seguro
você tem?
seu carro tem?
meu carro é mais seguro do que eu

cansei de ter que responder perguntas que eu sequer quero escutar
de interpretar
fingir
sentir
ferir
morrer cada dia um pouquinho
de viver cada dia um pouquinho


cansei.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

from girls.

"take some time off from becoming who you are"

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

tijolo por tijolo

li, ainda hoje, que "amor é reconstrução"

não posso deixar de concordar.

acho que é sempre mais fácil começar do início.
o sonho
a ideia
o papel
a forma
a base
a laje
a decoração
a chegada naquela casa tão nossa
com cheiro tão novo
com os quadros pendurados na sala milimetricamente medidos
e, depois,
banido da sala porque o olho da Monalisa dá medo e eu não consigo dormir a noite

e aí se rearranja
pega o quadro
coloca no outro quarto
tira daquele lugar aquela foto ali
coloca ela, então, no olhar que antes pertencia à Monalisa

aí vem a briga
aí vem o gozo
aí vem a janta
e em seguida a louça pra lavar

e vem rotina
vem conta
vem muito talão e pouco salário

e vem o choro do nada
claro,
sempre o choro
e sempre
supostamente
do
nada

e vem
e vai

e sai da casa
e leva o quadro da Monalisa
e muda
e muda de novo
e enfia o quadro em cima da estante
e pega livro por livro
e pega choro por choro
e pega vida por vida
e pega medo por medo
e pega força por força

e quebra copo
compra louça
desfaz as caixas
refaz a vida

mas, e o amor?

reconstrói o amor

pega aquela receita de juntar os cacos dos copos, as lágrimas e o olhar da Monalisa.
pega também aquele livro que eu andei lendo e chorei de soluçar
pega sua louça
a toalha de margaridas
as luzes
as dores
os sonhos
as ideias
os papéis
as formas
a base
a laje
a decoração
junta tudo de nós e mistura pra nosso
transforma isso
em uma massa
composta de fé
esperança
espera
e
saudade.

feito isso, beba a reconstrução do amor.

mas beba todo dia
de pouquinho
bem pouquinho
levinho
pra lembrar que amor é isso
às vezes cai
nas outras cola
mas,
sempre
reconstrói.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

.o amor acaba.

"O amor acaba. Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar; de repente, ao meio do cigarro que ele atira de raiva contra um automóvel ou que ela esmaga no cinzeiro repleto, polvilhando de 
cinzas o escarlate das unhas; na acidez da aurora tropical, depois duma noite votada à alegria póstuma, que não veio; e acaba o amor no desenlace das mãos no cinema, como tentáculos saciados, e elas se movimentam no escuro como dois polvos de solidão; como se as mãos soubessem antes que o amor tinha acabado; na insônia dos braços luminosos do relógio; e acaba o amor nas 
sorveterias diante do colorido iceberg, entre frisos de alumínio e espelhos monótonos; e no olhar do cavaleiro errante que passou pela pensão; às vezes acaba o amor nos braços torturados de Jesus, filho crucificado de todas as mulheres; mecanicamente, no elevador, como se lhe faltasse energia; no andar diferente da irmã dentro de casa o amor pode acabar; na epifania da pretensão ridícula dos bigodes; nas ligas, nas cintas, nos brincos e nas silabadas femininas; quando a alma se habitua às províncias empoeiradas da Ásia, onde o amor pode ser outra coisa, o amor pode acabar; na compulsão da simplicidade simplesmente; no sábado, depois de três goles mornos de gim à beira da piscina; no filho tantas vezes semeado, às vezes vingado por alguns dias, mas que não 
floresceu, abrindo parágrafos de ódio inexplicável entre o pólen e o gineceu de duas flores; em apartamentos refrigerados, atapetados, aturdidos de delicadezas, onde há mais encanto que desejo; e o amor acaba na poeira que vertem os crepúsculos, caindo imperceptível no beijo de ir e vir; em salas esmaltadas com sangue, suor e desespero; nos roteiros do tédio para o tédio, na barca, no 
trem, no ônibus, ida e volta de nada para nada; em cavernas de sala e quarto conjugados o amor se eriça e acaba; no inferno o amor não começa; na usura o amor se dissolve; em Brasília o amor pode virar pó; no Rio, frivolidade; em Belo Horizonte, remorso; em São Paulo, dinheiro; uma carta que chegou depois, o 
amor acaba; uma carta que chegou antes, e o amor acaba; na descontrolada fantasia da libido; às vezes acaba na mesma música que começou, com o mesmo drinque, diante dos mesmos cisnes; e muitas vezes acaba em ouro e diamante, dispersado entre astros; e acaba nas encruzilhadas de Paris, Londres, Nova York; no coração que se dilata e quebra, e o médico sentencia imprestável para o amor; e acaba no longo périplo, tocando em todos os portos, até se desfazer em mares gelados; e acaba depois que se viu a bruma que veste o mundo; na janela que se abre, na janela que se fecha; às vezes não acaba e é simplesmente esquecido como um espelho de bolsa, que continua reverberando sem razão até que alguém, humilde, o carregue consigo; às vezes o amor acaba como se fosse melhor nunca ter existido; mas pode acabar com doçura e esperança; uma palavra, muda ou articulada, e acaba o amor; na verdade; o álcool; de manhã, de tarde, de noite; na floração excessiva da primavera; no abuso do verão; na dissonância do outono; no conforto do inverno; em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba".

Paulo Mendes Campos. 

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Lu.

Vi você renascendo inúmeras vezes
Chorei em algumas delas
Renasci junto em muitas

Te vi perdida
Como eu
Apaixonada
Como eu
Bêbada
Como eu
Chorando desesperada
Como eu

Vi quando você olhava com olhos de
"não é esse"
E, será alguém, algum dia?

Agradecemos juntas pela beleza da vida
E choramos em diversas vezes pelo passado

E eu estava lá
Quando ele nasceu
Tão pequeno e tão enorme
Tão cheio de amor
Pra receber
E pra doar

E você estava lá
Esperando na porta
Com o carro aberto
E minha mala cheia de confusões

Elas não passam, né?
As confusões
As despedidas
E
mais fundo ainda:
o amor.

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Romulo

Tenho pensado muito em você, meu amigo.
Dia desses, organizando os livros, encontrei os seus. Todos lindamente autografados, com meu nome escrito no começo e o seu assinado ao final.
Sua letra me deu um misto de tristeza e alegria.
Até hoje lembro da sua casinha no Boa Esperança, com cheiro de café e amontoados de livros escritos e feitos por você. Você fez seus primeiros livros. Trabalho manual e intelectual invejável.
Lembro de um bem pequeno, com folhas que lembram papel de pão.
Aliás, nem tem mais aqueles papéis por aí. Tem? Eu não sei. Também não compro mais muito pão.
Você saiu de sua cidade, mas de alguma forma, Minas nunca saiu de você.
Não consigo parar de chorar. Alguns dias são mais cinzas que outros, Romulo. Mas é mais ainda difícil quando parte da sua cabeça é muito cinza por dentro.
Folheio os livros.
Gosto daquelas páginas amareladas.
Sorte existir Ramon em nossas vidas. Na sua vida.
Nosso último encontro foi tão rápido. Só peguei o livro, tirei uma foto e logo me fui.
Tenho saudade de você aparecer por aqui e escrever pra mim.
Tanto que só estou conseguindo escrever pra você passado tantos meses. Anos.
Confesso que não é fácil seguir escrevendo como me pediu.
E ainda dói saber que você não me lê mais.
Ou,
quem sabe
me lê.

Me avise: por aí você tem escrito? O céu é mesmo tudo que contam? Ou você resolveu ir para outro lugar?


Isa.


PS: Tenho certeza que o paraíso é dentro da cabeça da gente.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

tenho substituído

há dias não consigo tirar um texto de mim
penso em tudo
te li inteira
te vi
senti

mas nada sai

você
gosto de café
ovos mexidos
e amor

você
cor de sol
cheiro de mar
força da natureza

tento escrever
não sai nada

penso diariamente
não tem palavra
memória falha

respiro fundo
fecho os olhos
escuto músicas
lembro de nós

mas não sai nada

você
toque suave
dedos finos
pernas longas

tento escrever
tento
tento
não sai nada

você
me tirou as palavras

e, desde então,
tenho substituído por saudades.