segunda-feira, 25 de setembro de 2017

na sexta nos falamos. 40 anos. vai ser pai. o tempo passa rápido né? lembra de mim lá naquela época? aparelho na boca, 21 anos recém-feitos. você todo adulto, independente. eu, cursinho indecisão. você, como diz a música do Cazuza, literalmente me pegava na escola, enchia minha bola com todo seu amor.
lembra da gente? foi sintonia no primeiro encontro. foi tanto amor. foi tanta troca. foram tantos ciúmes despropositados, vendo na ótica do hoje em dia. foram anos a distância. três. três longos anos. você era meu porto seguro e desde então não teve ninguém pra preencher isso que você deixou em mim. essa coisa boa. nossas viagens de moto. nossas loucuras. nossos acampamentos. nosso meio do mato que parecia meio do mundo. nossos amigos. seus amigos que viraram meus. nossas festas ensandecidas.
você me enxergou da forma que eu não me via e me mostrou como é bom ser dois e, ainda assim, querer fazer parte um do outro.
você me viu crescer. me viu sair da indecisão de uma vestibulanda até entrar na faculdade e me tornar o que eu já era sem saber.
você não foi, você sempre será.
e você, pai, me enche os olhos d'água. mas não é de tristeza não.
é de orgulho de saber que você vai ser pra essa criança o melhor que você puder.
e você pode, meu eterno meu bem.

sábado, 23 de setembro de 2017

Recomeçar
Recomeçar
Recomeçar
Recomeçar
Recomeçar
Recomeçar
Recomeçar
Recomeçar
Recomeçar
Recomeçar
Recomeçar
Recomeçar

I’m


Fucking





tired.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

receita de bolo

Parecia tudo
e
De repente
Virou nada

Ficaram as fotos guardadas no armário
O cheiro na memória
Os souvenirs na gaveta

O sexo preso na lembrança
Dos corpos mal dormidos
e
Ainda assim quentes e felizes

Não resta nada
Tudo ficou paralisado

É como se dali a poucos minutos tudo voltasse a ser como foi:
Uma força desconhecida
Descomunal
De vida.

A receita não levou fermento
O forno foi aberto antes do tempo
Exatamente por isso,
O bolo murchou e ninguém quis prová-lo.

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Coisas vão te acontecer o tempo todo.
Você acorda como se fosse um dia simples, ordinário, e de repente, sua vida muda.
Em um dia você é uma adolescente planejando o futuro com suas melhores amigas, e, de repente, um acidente muda tudo. E muda pra sempre.
Você guarda numa gaveta do espaço-tempo traumas e, sem querer, na sua felicidade quase plena, eles são os protagonistas da história.
Você é a menina mais inteligente e linda do lugar que mora, e um incidente arrasta seu rosto e te desconfigura inteira. E, como mágica, a partir disso, você se torna a pessoa mais feliz do mundo.
Coisas vão te acontecer o tempo todo.
É como você reage a elas que muda sua vida.
Todos, também, estão perdidos em suas histórias, tentando sair da areia movediça e dos labirintos quase infinitos que se colocaram ou foram colocados.
Reaja. Isso mesmo. Faça agir novamente. Diferente. Insistentemente.
Mas entenda quem é você.
Por anos, longos anos, tentei negar que existe um lado muito cinza, como diz meu pai, "sorumbático" em mim.
A virada da chave não foi mudar isso. Foi aceitar. Acolher. E tentar me alavancar pra cima da forma que seja possível.
Algumas vezes a gravidade te puxa pra baixo, lá pro fundo desse poço. Em outras, você junta força e cérebro pra escalar.
Não há receita. Não é um bolo.
Coisas vão te acontecer nos momentos mais improváveis, naqueles mais impossíveis.
Mas, ao invés de correr da chuva, se molhe.
Você merece.


PS: reflexões vindas pelo documentário "Happy'.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017


Sim, existe amor em SP! E em Paris, Piracicaba, Minas Gerais, Madri, Cruz das Almas. O amor não deu no pé. O que eclipsa sua presença são as expectativas, as convenções sociais, a necessidade de uma bússola ou de uma tábua de salvação.

O amor pode sobreviver ao mau humor matinal, à depilação por fazer, ao futebol de domingo, às cutucadas suspeitas no Facebook. Mas nenhum amor sobrevive ao peso da obrigação de ter que dar sentido à vida de alguém.

Porém o destino é um menino travesso que teima em nos enviar um par justamente quando estamos ao avesso.

Como ser par sem antes ter conseguido ser ímpar? Ignoramos esta pergunta. Quem precisa ser ímpar quando se pode ser par?

Afinal o amor dá jeito nas coisas, não dá? Não foi isso o que nos ensinaram? Que o amor supera tudo?! E se o amor supera tudo, claro que vai nos desvirar do avesso, nos botar no prumo e nos fazer sentir conforto em nossa própria pele. É questão de tempo.

O tempo! Ah, o tempo! Pobre rapaz… O tempo se zanga com a troça do destino e, para provar que nada tem a ver com isso, corta o mal pela raiz: provoca a ruptura.

Daí por diante começa o desatino: lágrimas, injúrias, fúria, raiva, melancolia, sentimento de menos valia, solidão.

De quem foi a culpa, afinal? Alguém precisa levar a culpa!

Sobra para quem? Para o amor. É tudo culpa do amor! Esse monstro que por puro egoísmo fugiu das grandes cidades e deixou as metades das laranjas partidas desencontradas e perdidas.

Coitado do amor! Ele tem implorado por atenção, mas ninguém o ouve. Quem consegue ouvir os apelos do amor estando anestesiado de medo? Amor, que amor? Estamos mais ocupados em saber se é por aqui que se vai para lá. Estamos mais preocupados em saber se seremos aceitos, bem sucedidos e bonitos na foto do que qualquer outra coisa.

Não conseguimos nos amar, nos aceitar, nos admirar, nos respeitar. Como é que conseguiremos amar, aceitar, admirar e respeitar o outro?

Se acaso precisamos que um amor ratifique que somos bons, capazes, especiais e únicos, ele simplesmente morre. O amor não tolera esse tipo de exigência. O amor não tolera expectativas desleais.


Nada nem ninguém, nem mesmo o amor, o sentimento mais poderoso e cobiçado da face da terra, poderá nos oferecer identidade, segurança e conforto. E nosso desconforto anda tão grande, tão imenso, que para não olharmos para os nossos abismos dizemos que “não existe amor em SP” ou em parte alguma. Pior, dizemos que os amores se tornaram líquidos – como se algum dia ele tivesse sido outra coisa que não fluidez.

Bobagem! Nós é que precisamos nos desfazer de certas bagagens inúteis e de um bocado de coragem para convidar um velho amigo para uma xícara de chá: o amor-próprio.

O amor não fugiu das grandes cidades. Ele não foi a lugar algum. Ele continua onde sempre esteve.  É que ele só visita quem convida seu irmão gêmeo para uma xícara de chá.

De Mônica Montone.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

pensei que mergulhava profundamente em suas águas
até acordar do sonho e perceber
que bati a cabeça contra a pedra:
não era mar aberto, era riacho raso.



da realidade restou apenas o sangue quente, fervilhando, jorrando da cabeça ao meio dia.
e a confusão mental com gosto de ferro na boca.


geograficamente, o riacho está interditado. dele o tempo leva, a cada dia, uma gotinha.
até restar só terra seca. esturricada.
ali jaz vida.



domingo, 10 de setembro de 2017

Ao fim e ao cabo

Ao fim de um relacionamento faço exatamente  sempre o mesmo exercício: saber como o anterior do anterior deu errado. E, nas minhas anotações, conversas, trocas, cheiros, sexo e tatuagens, vejo que não deu nada errado. Que foi vida invadindo feito enxurrada uma sala vazia de gente e cheia de móveis em dia de chuva forte.

Vi você e suas pintas segurando tão firmemente seu cigarro que não tinha como não te amar.

Foi você e seu sotaque paulista, olhos azuis e saúde fudida que me fizeram me apaixonar perdidamente por você. Cegamente, eu diria. Até vir, as pintas e cigarros pra me arrebatar.

Antes, no entanto, veio sim a destruição. Mas essa eu pulo.

Assim como pulo capítulos e descubro de salto em salto que aquele lance de errado mesmo é amar menor é real. Nunca amei menor.

Aliás. Se é errado ou certo não sei.

Só sei que olho pra trás e vejo só o próximo pulo. Pra frente. E de olhos verdes.