quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Memórias da Ásia I

Tenho tentado absorver tudo que vivi ao longo das últimas semanas na Ásia. Uma viagem sempre muda você. São tantos socos no estômago que ele volta a embrulhar só de lembrar. A dor, aliás, da doença já no final ainda machuca. Literalmente quase morri pra ter que ir renascendo aos poucos e respeitando meus limites. Respeitar meus limites: que exercício difícil esse. Aí percebo que o que venho fazendo desde sempre na minha vida é exatamente o contrário. Eu não respeito meus limites quando o corpo diz “não”, quando a mente diz “não”. Não me respeito quando não me ouço. Bobinha. Enfrentar a mim mesma nem sempre é um ato de revolução. Pelo contrário, é rebeldia adolescente pura e simples. Da Ásia, pra 2018 e pra vida inteira fica a lição: intuição não é algo arbitrário. Existe, deve ser vivida e sentida. Devia ter entendido há bastante tempo coisas sobre pessoas que teriam me valido a paz de espírito, aquela que a gente acha que o outro tira, mas no fundo é quando você deixa o outro agir em seu nome.

Que o nome, o cérebro e o corpo que me foram dados sirvam pra que cada dia eu só seja eu mesma.

Amém.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

O cheiro que não sai da memória

Às vezes, em quartos de hotéis pelas cidades afora, as toalhas limpas têm os mesmos cheiros que suas roupas que me davam boas vindas em um abraço de saudade.

Como sobreviver as lembranças ofativas?

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Parou

Você parte o coração tantas vezes que, tantas outras, acha que ele vai parar
Relembra das músicas dos amores vividos e, algumas vezes, sofre e chora abafando o grito no travesseiro.
Em outras ri boba por ter mergulhado fundo no que acreditou ser pra sempre.
E foi pra sempre. 
Você sente gratidão por aquelas pessoas, todas aquelas, um dia terem cruzado seu caminho e permitido que a troca fosse real. 
Acontece que nem sempre é.
Difícil entender e interpretar os sinais, mesmo que por vezes eles sejam tão óbvios. 
Coração é músculo que não para de pulsar, de sentir profundo o que a cabeça não entende. 
Mas às vezes ele pulsa tão devagarinho, que você chega a pensar que parou. 
E
De repente 

Ele pára. 

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

O que fazer em caso de saudade apertada, de garganta fechada, angustiada, louca pra saber como você está?
O que fazer quando a chuva invade a sala, molha livros, caixas e piso?
O que fazer quando o vento destrói os quadros, leva os pratos, joga fora os remédios?
O que fazer se ao andar pelos cantos da minha casa tem você em formato de lembranças que eu quero esquecer?
O que fazer quando meu pensamento fica intermitente em você e o medo é maior que a coragem?
O que fazer quando você ouve que um louco matou 50 e uma adolescente tentou suicídio?
O que fazer pra,simples e calmamente, viver em paz?









Ps: há perguntas que não possuem respostas.

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

na sexta nos falamos. 40 anos. vai ser pai. o tempo passa rápido né? lembra de mim lá naquela época? aparelho na boca, 21 anos recém-feitos. você todo adulto, independente. eu, cursinho indecisão. você, como diz a música do Cazuza, literalmente me pegava na escola, enchia minha bola com todo seu amor.
lembra da gente? foi sintonia no primeiro encontro. foi tanto amor. foi tanta troca. foram tantos ciúmes despropositados, vendo na ótica do hoje em dia. foram anos a distância. três. três longos anos. você era meu porto seguro e desde então não teve ninguém pra preencher isso que você deixou em mim. essa coisa boa. nossas viagens de moto. nossas loucuras. nossos acampamentos. nosso meio do mato que parecia meio do mundo. nossos amigos. seus amigos que viraram meus. nossas festas ensandecidas.
você me enxergou da forma que eu não me via e me mostrou como é bom ser dois e, ainda assim, querer fazer parte um do outro.
você me viu crescer. me viu sair da indecisão de uma vestibulanda até entrar na faculdade e me tornar o que eu já era sem saber.
você não foi, você sempre será.
e você, pai, me enche os olhos d'água. mas não é de tristeza não.
é de orgulho de saber que você vai ser pra essa criança o melhor que você puder.
e você pode, meu eterno meu bem.

sábado, 23 de setembro de 2017

Recomeçar
Recomeçar
Recomeçar
Recomeçar
Recomeçar
Recomeçar
Recomeçar
Recomeçar
Recomeçar
Recomeçar
Recomeçar
Recomeçar

I’m


Fucking





tired.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

receita de bolo

Parecia tudo
e
De repente
Virou nada

Ficaram as fotos guardadas no armário
O cheiro na memória
Os souvenirs na gaveta

O sexo preso na lembrança
Dos corpos mal dormidos
e
Ainda assim quentes e felizes

Não resta nada
Tudo ficou paralisado

É como se dali a poucos minutos tudo voltasse a ser como foi:
Uma força desconhecida
Descomunal
De vida.

A receita não levou fermento
O forno foi aberto antes do tempo
Exatamente por isso,
O bolo murchou e ninguém quis prová-lo.