quarta-feira, 26 de abril de 2017

entre sorrisos e lágrimas

abri os olhos e entendi que foi só o cheiro que ficou.
olho pro travesseiro ao lado, frio pela falta de corpo
com o sorriso misturado às lágrimas que ficaram.
fecho os olhos e lembro que há algumas horas estava sendo muito feliz.
e continuo.
lembro do calor
das pintas
das marcas
dos raios de sol nos cabelos
raios de sol na minha vida
sorriso aberto no meu coração
clara como a luz da manhã invadindo o quarto de pedras
a casa de quadros
você traz tudo que o sol é capaz de trazer: vigor, olhinhos fechados, sorriso aberto, certezas, dúvidas, aconchego
vitamina D
vitalidade
saudade latente
amor.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

são nos pequenos gestos que os grandes amores vivem.
pensei,
chorando de felicidade pela salada de flor.

quarta-feira, 29 de março de 2017

desimportâncias.

acordei às 5h55. fiquei na cama até as 06h16.
tomei banho.
preparei o café.
vesti a roupa, passei o batom vermelho.
cheguei.
acidente na porta do trabalho.
moto com carro. quem tinha razão?
a chuva veio empatar o almoço.
o almoço veio empatar a dieta.
a dieta veio empatar a vida.
e de empates e empates,
zero a zero ninguém viu a vida passar.


quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

acredito claramente que é a dor que ensina. aliás, acredito que é a dor que amadurece.
não fosse a dor - física, quando a enxaqueca vem, ou de amor, quando ele se vai - não teria chegado até aqui.
a dor ensina
a tristeza ensina
o amor transborda.

sim, o amor apaga, vez ou outra, todas as imperfeições alheias.
é ele que faz tentarmos ir além. ficarmos vivos. não nos afogarmos nessa mediocridade humana.

acontece que, nem sempre, é o amor que vem. nem sempre é o amor que chega. nem sempre é ele que basta. nem sempre existe conexão com o outro. amor sozinho não basta. é preciso que seja mútuo, compartilhado, vivo.

já fiz dezenas de cartas de despedidas e em nenhuma disse adeus.
já disse que odiava sem nem saber o que significava isso de verdade.
até que parei pra me conhecer.
e vi claramente a bagunça mental que eu sou.
e aceitá-la não faz com que me sinta melhor
faz apenas com que eu me sinta eu
entre desorganizações
tristezas
dores
e amores.

minha carta é de chegada.
de mim para mim, digo:
sim.



domingo, 12 de fevereiro de 2017

o barulho do silêncio

Gostaria de lhe dizer que as coisas são passageiras
Que uma hora, bem ou mal, tudo vira lembrança
Que ali, alguns quilômetros a frente, estará tudo bem

Mas, a verdade é que não é possível saber
O tempo não cura as coisas
Ele, simplesmente, faz a gente esquecer as coisas

As coisas
Os atos
As pessoas

Vai ficando tudo meio turvo
Meio embaçado
Até sumir no meio da paisagem

Gostaria, também, de dizer que toda essa agonia
Vai ser curada
Que toda essa doença
Vai ser dizimada
Que vida é assim mesmo

Gostaria
Muito
De dizer pra você, que sou eu mesma,
Que é normal
Que os traumas
As infelicidades
As cicatrizes
As tatuagens
Tudo
É normal

mas
sabe?
não vou dizer nada
atrevo-me ao barulho imenso que o silêncio faz.




o que é inevitável na vida?
.i wanna touchable things.