quarta-feira, 16 de agosto de 2017

entre ondas e pedras

Quando a distância se fez
A saudade foi, aos poucos, abrindo pequenos buracos
De repente os buracos foram crescendo
E no lugar de braços
Pernas
Tronco
E fios de cabelo
O corpo foi desaparecendo
Fui sumindo
Ficando miúdo

O único órgão completamente intacto
Foi o coração
Tentei fazer com que a cabeça ficasse
Mas o cérebro não quis permanecer porque já sabia que era o coração que mandava
Ele, então, voou
Fiquei desarrazoada

Desde então meus buracos aumentam e diminuem de tamanho conforme a dança que faço com o coração
Parece um tango: é preciso estar atento e em parceria constante com outro ser humano
Tem dias que é apenas um carnaval: samba-se sozinho, porém em companhia
Outras vezes é forró: grudadinho é mais gostoso
Mas não são poucas às vezes que os buracos parecem ser música clássica: lentas, e na mesma proporção, fortes

Como arrebentação de ondas, os buracos parecem abrir e fechar no ritmo de um coração acelerado
As pedras que recebem as ondas sabem de sua força
Mas não se movem
As pedras entendem as ondas e as acolhem, sabendo que logo se vão
Para voltar imediatamente

Ainda não entendi se nasci pra ser onda ou pedra
Apenas tenho vivido entre espaços cheios e buracos
Esperando o mar tocar nas pedras e ficar.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

eco

às vezes me sinto vazia
é como se houvessem vários espaços:
buracos no corpo procurando por encaixe

deito
fecho os olhos
e não tem nada que me faça querer começar tudo exatamente outra vez.