parte de mim é o contrário do que o espelho mostra
quadrados coloridos têm pena de mim
eu sorrio
debaixo da ponte nem o rio sabe dizer que horas são
e elas são muitas.
domingo, 26 de agosto de 2012
terça-feira, 12 de junho de 2012
voz
silêncio repousado,
deita em mim teus olhos fundos
tristes
e sábios
o peito aberto entre os lençóis estreitos
a cama pronta pra volta ao mundo
os pés tocam o chão gelado
e a noite pousa no meu ombro esquerdo
fica, te peço
deita, te chamo
cala.
deita em mim teus olhos fundos
tristes
e sábios
o peito aberto entre os lençóis estreitos
a cama pronta pra volta ao mundo
os pés tocam o chão gelado
e a noite pousa no meu ombro esquerdo
fica, te peço
deita, te chamo
cala.
quinta-feira, 7 de junho de 2012
tijolos
o barulho e o frio intimidam meus pensamentos e pele. fechada em mim mesma minto para conseguir esquecer a vida. lido bem com a solidão e com a tristeza vívida que carrego comigo. são minhas partes, fazem meu todo. porém o som da chuva e as letras miúdas falando de esquecimento, de falta de memória, de portas deixadas abertas e luzes acesas me assustam. mesmo fazendo um esforço pra esquecer, lembrar ainda é o que mais machuca. na verdade, não sei o que dói mais. me confundo com as lembranças do que eu não vivi e algumas fotos soam tão minhas, como se lembrasse da composição e do barulho do click. onde mesmo eu vim parar? quem eu era, quem sou e quem fui? chuvas me remetem a todos os lugares que morei, como se elas falassem "volte". só que, voltar pra onde? vou deixando pra trás tudo que posso e espalhando pedaços meus nos outros. será que se voltar em cada um que deixei meu pedaço de loucura, de neurose, de amor, de doçura, de amargura, de azedume e, quem diria, de romantismo, eu volto a ser alguém que fui um dia? é fácil não me reconhecerem: meus pedaços caem aos montes. catá-los? não, prefiro reconstruí-los.
segunda-feira, 28 de maio de 2012
minha dor postou ao meu lado
ecoou na sala vazia
e as lágrimas tocaram o mármore gelado
quem fui eu naquele dia que não queria partir?
quem fui eu que parti de mim no dia que cheguei onde não queria?
quem sou eu que ganhei asas, mas que as quebrei e hoje meu voo mais fundo é no chão?
olhe pra mim, espelho, e me diga:
quem, além de mim, pode fazer e desfazer os nós?
"não se amarra solidão".
ecoou na sala vazia
e as lágrimas tocaram o mármore gelado
quem fui eu naquele dia que não queria partir?
quem fui eu que parti de mim no dia que cheguei onde não queria?
quem sou eu que ganhei asas, mas que as quebrei e hoje meu voo mais fundo é no chão?
olhe pra mim, espelho, e me diga:
quem, além de mim, pode fazer e desfazer os nós?
"não se amarra solidão".
domingo, 20 de maio de 2012
o tempo no trilho
pensei que o tempo era passageiro
até olhar para o lado e vê-lo sentado junto a mim
pensei que o tempo era passageiro,
porém distante
e percebi que a viagem seguiu
o trilho barulhou no meu ouvido
e o tempo não saía do meu lado
o fim do dia refletiu meu rosto na janela
tinha envelhecido
o tempo não
e percebi
eu era o tempo
o tempo éramos todos nós.
ele não envelhece
ele amadurece na gente.
até olhar para o lado e vê-lo sentado junto a mim
pensei que o tempo era passageiro,
porém distante
e percebi que a viagem seguiu
o trilho barulhou no meu ouvido
e o tempo não saía do meu lado
o fim do dia refletiu meu rosto na janela
tinha envelhecido
o tempo não
e percebi
eu era o tempo
o tempo éramos todos nós.
ele não envelhece
ele amadurece na gente.
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