tenho inventado tantas mentiras que as verdades já nem acreditam mais em si mesmas. acordo com a ideia de que esse não deveria ser o dia que começa, se não aquele que já devia ter terminado. no meio do muro, os dois lados já me cansaram. sempre com confusões, retaliações, aparições, chateações, confissões...amores. as pessoas têm o simples dom de serem um saco. não entendo como podem estudar tanto ou não, mas ainda assim sofrerem, viverem, se amargurarem, sofrerem e... ainda assim, serem um saco. e elas estão em todos os cantos. no ônibus ao te empurrarem, no elevador ao colocar triplicadamente aquele perfume insuportavelmente forte, no seu coração ao deixar melancolias e em sua cabeça ao deixar frustrações.
15 minutos.
20.
10 anos.
quanto tempo estamos aqui mesmo errando?
darwin nunca usou a palavra e-vo-lu-ção e sim adaptação...
sim, nos adaptamos cada vez mais a errar.
terça-feira, 27 de outubro de 2009
domingo, 25 de outubro de 2009
percepções...
não tenho mais o que fazer. dói.
está corroendo. o vizinho com suas canções sofridas me machuca. você não ligar me machuca. e me ligar me machuca ainda mais. o ventilador não funcionar me enraivece. e dois ventiladores funcionando me fazem perguntar se deus existe e o que ele é. o doritos remexido me embrulha o estômago. raul tocando alto em outro vizinho e falando de casamento inútil me lembrou o som do vinil e minha infância. passou um carro, que carro será que seria amor? você adivinharia comigo? não, que pergunta inútil. rauuuuul? por que ainda tocas? cala a boca! a vida na cidade me enloqueceu. meus remédios já não fazem efeito, os delírios cotidianos de bukowski não mexem tanto comigo como os meus próprios...está tudo aberto, aquela ferida na moto de semana passada na perna esquerda está aí... exposta... tudo detalhadamente doído...e jogado.
os óculos
as chaves
a caneca com uma colher dentro
um par de brincos
dez reais
anna akhmátova
machado de assis
peru
austrália
natal
fortaleza
rio de janeiro
são paulo
... tantos lugares em uma só estante.
me dá medo.
já estive em todos? por que não me lembro? é melhor esquecer ou simplesmente guardar em uma caixa de pandora junto com a esperança?
o vizinho se calou.
aproveitarei o silêncio dele...
está corroendo. o vizinho com suas canções sofridas me machuca. você não ligar me machuca. e me ligar me machuca ainda mais. o ventilador não funcionar me enraivece. e dois ventiladores funcionando me fazem perguntar se deus existe e o que ele é. o doritos remexido me embrulha o estômago. raul tocando alto em outro vizinho e falando de casamento inútil me lembrou o som do vinil e minha infância. passou um carro, que carro será que seria amor? você adivinharia comigo? não, que pergunta inútil. rauuuuul? por que ainda tocas? cala a boca! a vida na cidade me enloqueceu. meus remédios já não fazem efeito, os delírios cotidianos de bukowski não mexem tanto comigo como os meus próprios...está tudo aberto, aquela ferida na moto de semana passada na perna esquerda está aí... exposta... tudo detalhadamente doído...e jogado.
os óculos
as chaves
a caneca com uma colher dentro
um par de brincos
dez reais
anna akhmátova
machado de assis
peru
austrália
natal
fortaleza
rio de janeiro
são paulo
... tantos lugares em uma só estante.
me dá medo.
já estive em todos? por que não me lembro? é melhor esquecer ou simplesmente guardar em uma caixa de pandora junto com a esperança?
o vizinho se calou.
aproveitarei o silêncio dele...
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
águas
não me deu saudade de nada e nem de niguém. mirei pela janela azul as construções sendo levantadas, sinal da porra do progresso, rá... progresso, quero ele longe se junto vem o caos, o calor, o aperto.
não sei o que acontece, falta de sentimentos também traz felicidade.
não tenho saudade daquele passado fingido
daquelas sorrisos forçados forjados de amor
e passado, digo, muito passado mesmo
bem passado
lá longe
e talvez aqui perto
não quero beber novamente em fontes velhas
não as desprezo
porém
ainda que haja poucas
que conhecer novas águas
e que venha junto correntezas, com a certeza da calmaria do rio logo abaixo.
não sei o que acontece, falta de sentimentos também traz felicidade.
não tenho saudade daquele passado fingido
daquelas sorrisos forçados forjados de amor
e passado, digo, muito passado mesmo
bem passado
lá longe
e talvez aqui perto
não quero beber novamente em fontes velhas
não as desprezo
porém
ainda que haja poucas
que conhecer novas águas
e que venha junto correntezas, com a certeza da calmaria do rio logo abaixo.
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
já quis nascer pra passarinho
igual manoel
já quis vir da literatura suja
como o velho safado
e já quis não querer nada
como pessoa
mas sou eu
tão mim
que é rídiculo me apegar aos outros
pra fingir ser quem não sou
ou me esconder de quem não fui
sou
tanto quanto eles são
me escondo
tanto quanto eles não
acordo
tanto quanto eles sim
sim se afundam
se dormem
se afogam
se afundam
se
s
e
igual manoel
já quis vir da literatura suja
como o velho safado
e já quis não querer nada
como pessoa
mas sou eu
tão mim
que é rídiculo me apegar aos outros
pra fingir ser quem não sou
ou me esconder de quem não fui
sou
tanto quanto eles são
me escondo
tanto quanto eles não
acordo
tanto quanto eles sim
sim se afundam
se dormem
se afogam
se afundam
se
s
e
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
cegueira
Brinquei com a morte hoje
E ceguei-lhe os dois olhos
Depois disso
Dei pra ser feliz
Faltava cegueira à vida
E ceguei-lhe os dois olhos
Depois disso
Dei pra ser feliz
Faltava cegueira à vida
sábado, 10 de outubro de 2009
mar
Naveguei em suas ondas
Passeie em seus navios
Descobri os mares em você
Fui fundo
Mergulhei
Afoguei pra aprender
Passeie em seus navios
Descobri os mares em você
Fui fundo
Mergulhei
Afoguei pra aprender
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
sem raízes
o silêncio incrustou os dedos em minhas raízes como se não houvesse nada mais normal que não sair do lugar.
tentei escapar?
não, deixe-me ali por anos
até que, não aguentando mais, foram as raízes que me deixaram...
tentei escapar?
não, deixe-me ali por anos
até que, não aguentando mais, foram as raízes que me deixaram...
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