quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

sapatinhos brancos


Eu vejo sapatos soltos saindo rotos dos pés das madames por aí
Vejo o que não devia
E sobretudo o que não queria

Eram quatro pernas
Quatro sapatinhos brancos
Duas saias jeans
Duas cabeças
Um tamborim?

Andavam apressados
Afobados
Arrasados?
Andavam... aqueles sapatos

Soletravam no passo da ignorância
A paciência de ter que trabalhar
Pra comer
Pra botar na boca do filho
Da filha
Dos filhos
Das tias... comida

Elas andavam, juro
Apressadinhas com seus sapatinhos brancos a caminho do hospital
Elas andavam
Tropeçando nos sonhos
Caindo em pesadelos de amanhã-ter-que-trabalhar
Pra botar na boca do filho
Da filha
Dos filhos
Das tias... comida

Elas caiam, juro
Na ladeira da vida
Cuspindo frases felizes
Desfeitas em cuidados matinais-maternais de mães que cuidam
Que amam
Que sofrem
Que choram

Elas saiam, juro
Da vida daquelas pessoas pelas noites-nauseantes mundo a fora sem sorrir
Elas corriam
Andavam
E corriam
E choravam

Vai ter fim?, uma pergunta
Não vai não.
E amanhã?
Sapato branco, até ficarem pretos.



Um comentário:

Dafne disse...

Isa, muito bom mesmo! Bjss