quinta-feira, 30 de setembro de 2010

café, acabou o amor.

meu quarto é o retrato da minha vida: uma bagunça.
pelo chão, ao invés de passos é possível ver claramente livros, cadernos rabiscados com poemas que nunca serão publicados, latas de cerveja de várias marcas, anéis apertados para dedos gordos, um pouco de sangue misturado com certezas mentirosas.

no ar, fica a dúvida inevitável: a fumaça dos velhos vícios, a fumaça daquilo que pede socorro sem pedir. seria isso? seria?

para quem me lê diariamente e pensa que pensa como eu penso, aliás, que pensa que sabe como eu penso, eu digo: é fato, é verdade. mas até que ponto algo muda para ficar exatamente como está? e até que ponto algo muda para piorar o que já estava ruim? até que ponto algo que havia mudado volta a mudar para entristecer?

a semana tem sido pesada e as notícias que me chegam mais duras ainda.

então, por favor, volte com a certeza que ficará e me deixe afundar com a certeza da incerteza.

sim, existe amor. mas será que eu vou ter que dizer: café, acabou o amor?

domingo, 26 de setembro de 2010

cada vez mais concordo que a felicidade só é verdadeira se compartilhada. Chris tinha razão.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

do tempo sem chuva

pensando em ódio mútuo nenhum lembrou-se que ainda podia restar o amor mútuo.
e restou
o quarto soprando o vento quente teve sabor de saudade
e deixei que soprasse
não pelos mesmos gostos
nem pelos mesmos cheiros
o vento trazia aquilo que vento traz:
alívio de pronto
calor depois que se vai

o que havia mudado depois que o vento deixara de soprar?
o que havia transformado depois que o vento deixara de existir?

o tempo mudou

depois do tempo, veio a chuva
a chuva era tão rara que nem fazia parte do tempo

chover significava parar o tempo
dar significado a vida, isso era a chuva
e depois que a chuva veio, logo se avechou e foi embora

sem tempo chuva não queria ficar
sem vento tempo não queria passar

pela janela percebi que ventava no tempo da chuva.

milagres são coisas que
acontecem com as chuvas

e chegam com o tempo.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

hoje confesso que a saudade que não deveria sentir está me pegando de jeito.

é dolorido.

pois que seja assim mesmo.

da culpa nossa, restou a culpa minha. a culpa de sentir saudade.

e já que é culpa, que doa bastante doído.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

é tudo uma questão

queria acreditar no acreditável, mas nem nisso as minhas crendices tem deixado que eu acredite. o que me espanta não são os outros, sou eu mesma.não é o que fazem de mim, é o que eu sou e o que refaço dos outros.
o popular me soa tão raro, assim como as coisas que eu deveria estar acostumada ainda me espantam. e gosto disso. gosto do espanto, como gosto de meu "autistar" do mundo para perceber que o vento empurra a folha que o vento já havia derrubado no chão. percebo a folha, reolho o chão, refaço o sentimento me empurrando com o vento. não me movo. ou movo. é tudo questão de lugar. estava exatamente ali quando nos conhecemos - e não, não ache que é você - eu estava exatamente naquele lugar, que pode ser qualquer lugar, quando nos conhecemos. é tudo sempre igual. o lugar, o(re)conhecimento, as promessas, a vida, o mar, o céu, as flores...ah! - amor, acabou o café ou - café, acabou o amor? o que fica quando se vai? o chão fica, assim como as folhas se renovam e caem ou não caem, é tudo uma questão de estação.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

paz

Braços urgentes dos teus
Olhos salgados de mar
O breu tão claro em mim
A paz de respirar.

me entardeço.

Fita-me
Arranca-me
Jogando depois
Na vala comum

Em que país me apareceu?
Com sua língua estranha
Com seu idioma nocivo
Com seu vício de vida

Seu olhar me come
Meu olhar te mata

Te escuto,
não me fita

Te escureço,
e me entardeço,enfim.