sexta-feira, 4 de março de 2011

quem sabe?

Quem me conhece de verdade?

Quem sabe que minha cara amarga, na verdade, é só tristeza com o mundo?

Quem sabe que eu me arrepio e me revolto de verdade com situações como a dessa menina Lavínia?

Quem lê que minhas olheiras são das noites que eu perdi pensando em como pensar, em como agir, em como ser?

Quem sabe que meu andar torto é exatamente igual ao do meu pai?

Quem sabe que até hoje eu falo papai ao invés de pai e morro de vergonha por isso, algumas vezes?

Quem vai me ler e não se preocupar com os capítulos horríveis?

Quem vai entender que, às vezes, as coisas simplesmente não são para ser entendidas?

Quem vai me abraçar ao invés de falar que eu preciso me cuidar?

Quem vai entender que meu descuido comigo é intencional? Uma forma de escapar logo de um lugar que eu não fui feita pra morar?

Quem vai querer me tomar pra si e falar “vem comigo”?

Quem vai saber do que eu rio?

Quem vai saber por que eu choro?

Quem vai saber que sou extremamente feliz pelos picolés de uva e limão da Kibon existirem?

Quem vai saber que eu trocaria dezenas de sapatos de salto por um all star 36 branco?

Quem de verdade sabe que all star é pra sujar?

Quem sabe que eu mataria, mas mataria mesmo, quem fizesse mal aos meus pais, minha tia, meu irmão e meu sobrinho?

Quem sabe que eu defendo meus amigos até o fim, mesmo que algumas vezes eles estejam errados?

Quem sabe que minha palavra de ordem é saudade?

Quem sabe que a forma bruta e pouco amável de agir me tira pessoas da mesma forma que coloca?

Quem sabe que eu errei muito, erro e vou continuar errando?

Quem sabe que eu sei que solidão não me irrita e que pra mim é quase estado de espírito?

Quem sabe que eu sou confusa demais, muito mais que o normal?

Quem sabe que eu conto as piadas mais sem graça do universo?

Quem sabe que no fundo quem sente sou eu, não você?

Quem sabe o quanto me entristece estar fora de planos que eu queria estar dentro?

Quem sabe que adoro o cheiro de baunilha?

Quem sabe que eu realmente amo viajar?

Quem sabe que eu detesto comer coisas amargas?

Quem sabe que cheiro de tequila tem sabor de México?

Quem sabe que continua sendo muito doloroso crescer?

Quem sabe que minha melancolia não me deixa evoluir?

Quem sabe que datas comemorativas sempre me irritam, principalmente Carnaval, Natal e Ano Novo?

Quem sabe que eu tenho medo da morte, não da minha, mas das pessoas que eu amo?

Quem sabe que eu gostaria muito de me esbarrar com o Manoel de Barros, o Chico, a Frida, o Bukowski, o Drummond, o Niemeyer, o Vinicius, o Tom, o Beethoven, a Woolf, o Almodovar, o Bresson, e tantos outros e falar “obrigada por existirem em mim”?

Quem sabe que poucas vezes eu enxergo a minha vida feliz?

Quem sabe que eu quase venderia minha alma para não ter mais enxaqueca?

Quem sabe que eu me vejo só e quem sabe que eu absorvo muito, mas transformo isso em pouco?

Quem sabe?

Eu não sei.

Sinceramente, não sei.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

"Chorei três horas, depois dormi dois dias.Parece incrível ainda estar vivo quando já não se acredita em mais nada. Olhar, quando já não se acredita no que se vê. E não sentir dor nem medo porque atingiram seu limite. E não ter nada além deste amplo vazio que poderei preencher como quiser ou deixá-lo assim, sozinho em si mesmo, completo, total." c. f. a.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

sonhei com uma horta verde na última noite.
ela olhava pra mim, murcha, seca, sem vida.
eu sorria, e o manjericão voltava com seu cheiro extasiante.
que horta sou eu?
e se fosse alguma, que frutos daria?
ando pensando na nossa vida
dostoievski tem tido o poder de me deprimir a cada linha
e cada paragrafo é tão dilacerante como verdadeiro.
você está ao meu lado na cama, mas é como se nunca tivesse estado ali.
me olha, e não me vê.
me toca, e não me sente.
pega em mim e me acha fria, enquanto meu corpo febril pede que novamente me aperte os braços para o sangue correr com mais vontade.
somos nós estreitos nós?
nós que não se desenrolam, mas não fazem parte da mesma corda?
é isso?
duas cordas lotadas de nós em paralelo?
lado a lado, em um infinito estar-ao-lado-sem-se-tocar?
é isso?
deixe que as leis da física me mostrem o contrário, por favor.

sábado, 22 de janeiro de 2011

não tem como não ser feliz ao seu lado.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

o que não foi, não é

Me afogam as águas claras daquele dia que te deixei

Lembro de olhar mais uma vez, para ter certeza que aquilo era o certo

Que não iria me arrepender

Que tinha muita vida em mim, em nós

Independente das notícias que viessem de você, não me afligiria, não me amarguraria com o que restou de nós: nada

Não precisava de tempo para saber que ao escolher uma via, sempre teria errado em não ter escolhido a outra

Não, não é isso meu bem, não é arrependimento – são escolhas

Sabe o lance do Bukowski de que “o amor é uma espécie de preconceito”, que amamos o que é conveniente, de que, como podemos amar uma pessoa, enquanto há dez mil outras no mundo que não amaremos porque nunca conheceremos?

Pois é

Não é isso e é também

Me adianto no sofrimento para não me adiantar na dor: me faz bem chorar pelo que não foi do que pelo acabou sendo e deixou marcas que nem o tempo tiram do corpo

É como olhar aquela cicatriz que não sara e ver claramente o dia do acidente

Me embaralho em pensamentos, entre o que foi, o que tem sido, o que poderia ser e me pego mais confusa do que aquele dia em que as escadas que desci foram poucas para entender o quanto você já existia em mim

Não sei se peço para continuar existindo ou se acredito profundamente em uma escolha, sabendo que ela simplesmente me fará não fazer outra.

Confuso?

Nunca deixaria de ser.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

vê?

tocar. tocar o impossível, o que parecia um plasma, uma alma solta, um platonismo típico. tocar. olhar. lamber as feridas para que cicatrizem mais rápido. escorrer de felicidade, feito fio de água em vidro na noite de chuva, como Mia falou na outra noite.

tocar, para que não pareça inexistente, para que pareçamos, para que sejamos. tocar, não para doer, para sentir.

simplesmente tocar.
tenho escrito para não gritar.

obrigada caio.