faz tempo que por aqui não apareço
sinto minha pele algumas vezes como casco de jabuti: endurece, endurece, endurece
mas é casa
tenho vivido dias sem saber exatamente o que significam
leio e-mails antigos esperando notícias novas
morro por amor todos os dias e ainda continuo viva,
sem saber se respiro mesmo ou se já morri
meu avesso é encolhido
e tento esticá-lo pra ver se ainda vai caber em mim um dia
me abro a pessoas que não se importam
me fecho pra quem me escolhe
sou tão fácil de ler e ao mesmo tempo impossível de decifrar
vacilo
tropeço
mergulho
afundo
quarta-feira, 27 de maio de 2020
segunda-feira, 23 de setembro de 2019
fugi de mim há algum tempo e faz tempo que não me encontro
dia desses, tropecei no que pensei que fosse eu
não era
continuo me buscando em rostos que não me reconheço mais
em peles que descamei e deixei voar pela sala
naquele dia que inda ventava
mas não venta mais
a cidade virou uma fotografia em cinza apagado
e viro cinza cada dia mais, quando me desfaço por você
errei
errei
errei de novo
intensa
me estrago cada vez que deixo você entrar em mim como se amanhã não houvesse
mas há
sem vento
sem sala
sem mim
dia desses, tropecei no que pensei que fosse eu
não era
continuo me buscando em rostos que não me reconheço mais
em peles que descamei e deixei voar pela sala
naquele dia que inda ventava
mas não venta mais
a cidade virou uma fotografia em cinza apagado
e viro cinza cada dia mais, quando me desfaço por você
errei
errei
errei de novo
intensa
me estrago cada vez que deixo você entrar em mim como se amanhã não houvesse
mas há
sem vento
sem sala
sem mim
segunda-feira, 18 de junho de 2018
quarta-feira, 24 de janeiro de 2018
Memórias da Ásia I
Tenho tentado absorver tudo que vivi ao longo das últimas semanas na Ásia. Uma viagem sempre muda você. São tantos socos no estômago que ele volta a embrulhar só de lembrar. A dor, aliás, da doença já no final ainda machuca. Literalmente quase morri pra ter que ir renascendo aos poucos e respeitando meus limites. Respeitar meus limites: que exercício difícil esse. Aí percebo que o que venho fazendo desde sempre na minha vida é exatamente o contrário. Eu não respeito meus limites quando o corpo diz “não”, quando a mente diz “não”. Não me respeito quando não me ouço. Bobinha. Enfrentar a mim mesma nem sempre é um ato de revolução. Pelo contrário, é rebeldia adolescente pura e simples. Da Ásia, pra 2018 e pra vida inteira fica a lição: intuição não é algo arbitrário. Existe, deve ser vivida e sentida. Devia ter entendido há bastante tempo coisas sobre pessoas que teriam me valido a paz de espírito, aquela que a gente acha que o outro tira, mas no fundo é quando você deixa o outro agir em seu nome.
Que o nome, o cérebro e o corpo que me foram dados sirvam pra que cada dia eu só seja eu mesma.
Amém.
Que o nome, o cérebro e o corpo que me foram dados sirvam pra que cada dia eu só seja eu mesma.
Amém.
segunda-feira, 16 de outubro de 2017
O cheiro que não sai da memória
Às vezes, em quartos de hotéis pelas cidades afora, as toalhas limpas têm os mesmos cheiros que suas roupas que me davam boas vindas em um abraço de saudade.
Como sobreviver as lembranças ofativas?
Como sobreviver as lembranças ofativas?
quinta-feira, 12 de outubro de 2017
Parou
Você parte o coração tantas vezes que, tantas outras, acha que ele vai parar
Relembra das músicas dos amores vividos e, algumas vezes, sofre e chora abafando o grito no travesseiro.
Em outras ri boba por ter mergulhado fundo no que acreditou ser pra sempre.
E foi pra sempre.
Você sente gratidão por aquelas pessoas, todas aquelas, um dia terem cruzado seu caminho e permitido que a troca fosse real.
Acontece que nem sempre é.
Difícil entender e interpretar os sinais, mesmo que por vezes eles sejam tão óbvios.
Coração é músculo que não para de pulsar, de sentir profundo o que a cabeça não entende.
Mas às vezes ele pulsa tão devagarinho, que você chega a pensar que parou.
E
De repente
Ele pára.
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