segunda-feira, 19 de julho de 2010

a gente percebe que o tempo passou, quando a gente não passou com o tempo.
ou percebe, talvez, que o tempo passou quando os outros mudaram, e você não.
é, na verdade, são duas moedas com o mesmo lado.
e são milhões de sentimentos pra uma moeda só.
ver todos passando dá uma aflição tal qual entender que a gente se esvai tão antes do que os que estão do nosso lado gostariam. ou que a gente vai querendo ter ido era há muito, muito tempo.
não sei.
tenho pensado tanto no tempo que não tenho ouvido seu barulho.
ou tenho, ele dá sinal
seja nos fios trocando de cores
ou
nas cores trocando de vida
ficando cinzas - o que era preto
ou ficando amarelas - o que era branco.

não sei o que pesa mais
é a mudança não te acontecer
ou você não ter vontade que ela aconteça

quinta-feira, 8 de julho de 2010

às vezes a impressão é que eu parei junto com o tempo e, por mais que ele nunca pare, há algo que para com ele. e esse alguém sou eu.

o tempo na falta dele
a falta no tempo dele...

empurrando com a barriga
voando sem pensamento.

domingo, 20 de junho de 2010

andei pintando o tempo com as mãos
andei folheando o passado com os dedos
e pensando no barulho do tempo

os sinos
o tic-tac
o choro do dente caído

vê?
todos fazem barulho
todos cospem a vida passando

sábado, 19 de junho de 2010

não é pelo simples fato de parecer que os bons morrem jovens. não, não é isso. é por simplesmente parecer que os ruins permanecem por aqui durante séculos, milênios, mundos, antes ou depois de Cristo.

me cansam. as pessoas me cansam. pouca idade, muita idade, teorias idiotas, palavras não entendiveis que só deveriam ser proferidas pro seu próprio ego, como dizendo pra ele assim: "viu, como sou inteligente? viu como absorvo inteiramente (ou até mesmo aquém) do que aprendo?".

teorias são ótimas. principalmente aquelas maquinadas em meio há gargalhadas, sorvetes, cervejas, abraços, carinhos, choros, caminhadas até chegar, finalmente, a cachoeira, reuniãozinha de afins num gramado lindo e carregado de alegrias dominicais. teorias são ótimas quando de fato são recolhidas as devidas proporções de humildade para formá-las.

não me cansam os cachorros loucos por carinhos, nem os gatos que reviram o lixo. eles me dão raiva, se muito. o que cansa são os desprezos, as faltas de tato, as pseudoautonomiasfakes e, principalmente, volto a repetir, a falta de humildade descomunal.

e, quando sobrar humildade e faltar burrice, de repente as pessoas parem para pensar como é vazio escutar uma música que não diz nada com uma cabeça que pensa menos ainda.

mesmo com 87 anos os bons morrem jovens e mesmo com 18 tem muita gente precisando morrer.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

para brincar com o outro, sê, antes de tudo, brincante da sua própria vida.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

coisas miúdas

gosto das coisas miúdas da vida
de ouvir o barulho que faz o vento nas folhas secas do chão
de pisar nas folhas secas
e de sentir o chão

gosto da pequenez do ínfimo
de ser redundante na minha insignificância
perto de outras coisas tão infinitamente maiores

gosto de tocar o intocável
de me aproximar de coisas que não existem
de me amiudar cada vez que sofro
e me tornar menor ainda cada vez que penso

me encaixo na solidão
porque sei que não fui feita pra multidões
não sei tocar o outro
sentir o outro
pensar no outro
amar o outro

me amiúdo mais e mais
cada vez que penso na pequena grandiosidade que seria
se pudesse
tocar
sentir
pensar
e amar

mas não posso
minhas pequenas noções de felicidade
são quando me encontro cercada por pequenas multidões:
os meus
os próximos

entendo isso
entendo que as noções de felicidade são compartilhadas
mas a minha pequenez é tanta que amasso e quebro sentimentos
como as folhas secas no chão

posso tocar as folhas
mas não tenho tato para tocar um coração.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

eu tenho saudade de sentar no banquinho e conversar com você.
é, eu tenho saudade de viver.